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Local: Niterói, Brazil

quinta-feira, setembro 23, 2004

com o nariz na Galícia

Entre a pousada e a estação de comboios mudei a rota em pelo menos 80 kilômetros. É que saí de lá pensando em Braga e de Braga ir à serra de Gerês mas, no meio do caminho, havia um rapaz que me indicou Vila Nova de Cerveira, em pleno rio Minho e de cara para a vila de Bayona, Espanha.

Acabo de chegar e no trem uma senhora fez o favoire de caminhar comigo até a pousada. Ainda não tenho muitas informações, mas sei que o aluguel de um carro gira em torno de 5 euros e eu posso ir até La Guardia e parar numa outra cidadela um pouquito mais além que, dizem, és muy bela.

Já gostei daqui pois é uma cidade de artistas. Encontrei uma viola espanhola e estou coçando para colocá-la na minha sacola. O preço dum xale e mais duas cervejitas. Ah! E o almoço aqui inclui uma cerveja ou uma água. Nada mal.

Mas acabo de pôr os pés aqui. Quero vos contar de Ponte de Lima, onde estive ontem, a vila mais antiga de Portugal. Atravessando a ponte românica, entramos na aldeia de Arcozelo, e lá resolvi pedir uma informaçãozinha numa venda (é sempre bom pedir informações para ir entranhando nos lugares como quem abre a pança dum porco). O senhor que ali estava esticou pruma prosa e ainda me deu de presente sua história de vida. Ele atende pelo nome de João Malheiros, 84 anos, vivo que só! Tivemos realmente uma grande conversa e gravei tudo com o meu possante Sony safra 1991. Meu caro Malheiros habita uma aldeia um pouco mais acima e tem consigo algumas vinhas e uma espingarda para caçar coelhos e perdizes. Há 68 anos NAMORA dona Maria da Conceição, mulher que aos 18 anos, quando sáiu dum hospital, tinha que escolher com quem ia morar: os pais ou a tia. "Eu quero é ir pra casa do Malheiros". Grande Dona Maria!! Ele então me deu uma dica mais do que boa: "ó, m´nína, seguindo ali depois da ponte, vais encontraire uma adega. Gostas de ver isso? Pois eu tambáim!" Ainda perguntei novamente qual era o caminho a seguir para que não corresse o risco de me perder, e então João Malheiros me veio com a seguinte pérola: "Se for para se perdeire, perca-se comigo!"

E lá fui eu. De tempos em tempos cruzavam meu caminho camionetas carregadas de pipas com uvas. Cheguei na adega e vi todo o processo de feitura dos vinhos verdes da região. Esta época do ano produz cerca de 20 mil pipas, e cada pipa daquelas carrega 750kg de uva, que dá pra produzir 500 litros de vinho. Então, como o cume interessa, tive cuidado para não cair de boca na pipa!

Andréa, minha amiga, como lembrei de ti em Ponte de Lima! Tem um quê de Rio Preto, dada as devidas diferenças: este situa-se no Alto Minho. Aliás, não sabia que ia enveredar tanto por essa região.

O tempo vai esgotar.

Beijos!
Soraya

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Soraya, que interessante. Tive notícias riopretanas hoje. Há tempos não sabia sobre a cidade, acontecimentos propriamente ditos que envolvam a população como um todo. Parece que as coisas estão quentes por lá. É tempo de eleição e há muito, segundo minha mãe, não se brigava tão seriamente. Parece que tem até ameaças de morte. SÓ pra se ter uma idéia. A exposição que começaria hoje está sendo adiada ou cancelada, sei lá. Edmar, um dos candidatos da oposição entrou na justiça pra reclamar que a "situação" estava dando ingressos gratuitos pro povo em troca de votos...Resumindo, cancelou-se tudo, voltam-se os bois e vacas...E os barraqueiros que pagaram caro pelas respectivas barracas querem trucidar o "Edmar". Meio jogada de mestre da situação, não acha? Que podridão! Enquanto isto o terceiro candidato, do PT (Aleixinho) rima pelo auto falante de seu carro de campanha: "Desta vez, sem Bonergis e Justino, vote no 13". Que comédia! Cidade do interior mesmo!
Mas, tenho certeza que não foi por este ângulo que lembrastes de Rio preto. É que acabei de saber destas fofocas eleitorais, acabei de falar com D. Yonne e também sinto falta de escrever pra ti assim. "bate papo"! Enquanto isto meu pai informou que vai usar sua camisa de campanha para votar.
PS: Demos aos Vôvôs (dia dos pais) uma camisa com uma foto da Maria Clara, "A bonequinha do vôvô". Segundo ele, quando forem entregar papeizinhos com candidatos mostrará que já tem a sua. Só seu Pacheco mesmo.
No mais estamos bem, adorando suas narrativas. Sua mãe tem razão. Guarde e faça o mesmo sempre que puder. Você escreve bem, de certa forma viajo contigo daqui!
Grande abraço,
Andréa.

3:23 PM  
Anonymous Anônimo said...

saudosa detamancas,cuidado no transito, o nariz na galicia não pode voltar amassado!!! é uma òtima pois as tamancas cansam,ora pois não?Irene está encantada com PARIS, e disse: SORAYA vai amar! por conseguinte minha gaja,aproveite este solo luzo e...volte para O MESTRE MELLO,PARIS também te espera,uh lá lá!imaginei as pipas de uvas e a quantidadede lts. do verde do MEU PORTUGAL.Ai que saudades! agradeça por ter sua luz em saber desbravar por outras e aproveitar com elegancia e sabedoria, minha amadissima sulita, b.b. lig toda SUA!

7:51 PM  
Anonymous Anônimo said...

Soraya, prepare um dicionário portugues-portugues, pois estou a não entendeire nada do que escreves. Há algumas correspondências a sua espera, e espero que não sejam dívidas. Amanhã é meu aniversário, não esqueças!
Papi.
Tenho um email! jose-bedran @ig.com.br
Use-o, pois tenho conseguido abri-lo!

8:23 PM  
Blogger ipaco said...

Sô,

viola espanhola? Já tô vendo o peso dessa mochila. Mas bom mesmo será ouvir todas essas histórias de vida gravadas no sotaque luso. A impressão que me dá é que se completa um ciclo, quando se pisa na Europa, muito especialmente em Portugal. Por aqui, as coisas seguem seu ritmo de calor e torpor, com a primavera registrando 37 graus... Ontem foi a entrega dos prêmios Os Melhores, da Veja. Tinha um comvite com direito a duas pessoas e levei o Zé Octávio, que foi saudado por todos os donos de botequins. O Narciso ganhou dois prêmios e nosso comentário (meu e do Zé, feito simultaneamente) foi: "marmelada". Mas o dono do Jobi estava mais feliz porque o Antonio do Belmonte não levou nada. Ganhei um copo de cerveja alemão, da Bohemia, que já separei pra te dar. Quase me afoguei nele, cuidado! Hoje começou o Rio Cine festival e na terça, às 17h, no Odeon, vai ter um documentário sobre Dom Helder Camara... e depois o Coração e Mentes, sobre o Vietnã, que nunca consegui ver. Hoje tem show do Madá e seu Cisco Trio, com o Zé fazendo a discotecagem. Na Lapa. Vamos lá. Sábado é aniversário do Janjão, lá no Cardosão, com a nata do samba (Walter Alfaite, Galotti, Moacyr etc). Enfim, como vc pode ver, enchi minha agenda de atividades culturais, enquanto espero ficar bom da bronquite... Ilha Grande ainda é um sonho.

É isso. Te beijo
pets

12:42 PM  

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