navegar é preciso

Nome:
Local: Niterói, Brazil

sábado, outubro 02, 2004

Conexão Lisboa Rio

Tô indo no vôo das 13 horas lisboetas....
tchx..
so

quinta-feira, setembro 30, 2004

Rua da Rosa

Meus queridos,
estou aqui no melhor lugar de Lisboa: o Bairro Alto. Como sempre descubro o que há de bom no último dia. No momento vou procurar uma pensao para passar a noite aqui sem precisar pegar o barco pra Amora.

Em Santiago foi a mesma coisa: no último dia descobri o Gato Negro, uma taberna dignissima de entrar no Santiago de Compostela Botequim. "En un ha calle sin nombre, numero que non sabemos hai un vino do Ribeiro que todos nos relambemos. Vino branco, vino tinto de Ribadavia a de ser. O que non ven por aqui e que non sabe beber." Pois foi de lá que parti para o Porto, não sem antes beber o vinho do Manolo Ribeiro, comer chourizo al vino e tudo isso por 2,00. Uma taberna típica, a família atrás do balcão e uma TV PRETO E BRANCO!!! SIM: PRETO E BRANCO, em cima da pia, ao lado dos barris, atrás do balcão. Fantástico mesmo. E do lado de fora, aquelas ruas e paredes e arcos de pedra de Santiago...vocês não fazem idéia como senti sair de lá.

E no Porto acabei descobrindo um boteco onde comi um verdadeiro cozido português. E revi meus queridos comparsas do Vulcão e dormi mais uma noite na espetacular pensão Mondariz - ambiente familiar. Sendo que a minha cama já trabalhou muito na vida: assim que deitei, afundei cerca de meio metro no colchão de molas. E nas madrugadas, cada passo no corredor afundava o piso de madeira de meu chambre noir...

Acabo de sair de uma garrafeira, onde provei trezentos vinhos do Porto de todos os tipos. Tudo grátis. Só pra pagar ao menos uma vez, fui no Instituto do Vinho do Porto, aqui no bairro Alto, e paguei cerca de um e pouco numa taça dum LBV Fonseca. Intendida!

Papito: prepare-se pra pérola que vais ganhar de aniversário. Essa foi no meu cartão independente, e é pruma ocasiao muito, mas muito especial. Experiência como esta não terás tão cedo na vida.

Pessoal, vou nessa entonces porque se não encontrar pensão vou ter que retornar à mansidão de Amora, e hoje quero e ficar por Lisboa. Cada canto e cada bar que descobri andando só...Anotem aí o Pavilhao Chinês, um local pra se beber como nunca vi na vida: todo vermelho, luz amarela, cheio de espelhos e poltronas, muito intimista, pequeno e caríssimo: só vi da porta. Há coisas incríveis nesse local onde tô agora.

Minha caixa de e-mail já tá cheia de mensagens da UFF. QUE MERRRRDD.....!!!

estava!
Beijos, soraya

ps: Guimaraes já ficou lá pra arriba, Andréa. Emburaquei na Espanha e deixei Braga, Guima e Bragança pra outras ocasiões.

segunda-feira, setembro 27, 2004

Rincón del Viento de eras geológicas

Às compras hoje para levar comigo a alma da Galícia, me deparo com um loja já indicada por um hombre, onde só existem cd´s em oferta. Ensaquei um duplo de Alfredo Kraus, um de música celta do Milladoilo, O Barbeiro de Sevilla pela orquestra da Galícia, España em Música Clássica (com fuerza ao piano) e Negra Sombra, de Victor Pablo com Orquestra da Galícia. Tudo isto a cerca entre 1,90 e 4,90! Um pouco mais à frente eis que me surge una libraria onde havia espuesto un livro llamado Roteiros de Compostela, narrando toda a história galiciana através de seus roteiros mas o que me chamou a atençao (além do preço de 3,00) é que o livro começa em Portugal, passa por Coimbra, Porto, cidadelas do norte de Portugal hasta llegar em Santiago. É, minha gente, ustedes pueden imaginar como estoy me sentindo nessa grande odisséia. De quebra trago comigo também a alma barroca de Calderon de la Barca, por 1€ na mesma livraria. A loja do lado era um mercadito onde pude comprar minha água e "pequeno almoço" de amanha.

Hoje cedo estive em A Coruña, mas algo me dizia que lá nao ia encontrar muitas coisas para balançar meu coraçao. À parte o trajeto do trem, que é belíssimo, com os milharais e os horréos (aquelas pequenas casitas de pedra sobre pedestais, típicas da Galícia para armazenagem do milho) A Coruña tem uma arquitetura que mais parece um híbrido de Copacabana com Estoril: terrível. Hay playas e o Atlântico com o qual me deparei valeu a visita, pois surtiu como um brinde já nostálgico dessa viagem que vem chegando ao seu fim.

Peguei o autobus 5 em frente à Estaçao e fui direto à Torre de Hércules. Para os mais desavisados este é o farol mais antigo do mundo. Seu traço singular estar ainda no mesmo lugar, sobre a mesma cimentaçao e com a mesma funçao que tinha há 2000 anos atrás. Que tal? Tao logo entrei em sua base, me veio uma nota para as "vítimas do Palace II": seus alicerces de dois milênios foram construídos sobre "formigón", ou seja, pedras trabalhadas com um "mortero" de 30% de cal e 70% de areia granítica. Pai, você tem sempre razao. Vou poupar goela quando tu me provocares.

Antes de subir à torre aproveitei a vista do horizonte redondo que se descortinou à minha retina pelo Rincón del Viento, onde caminhei até a beira dos abismos para ver essa imensidao azul. Lá do fundo desse atlântico veio vindo um barquinho, e eu ali, só pegando a brisa fria que entrava pela porta do céu. Senti que o tempo passara quando o barquinho veio trazendo consigo o estardalhaço de centenas de gaivotas. Berravam à espanhola, quer dizer, à galiciana. Lá n´A Coruña vi outra pixaçao que anotei no caderninho:"Nao a educacion espanholista. Ensino educacional galego!". A Galícia no és España, é vero.

Ao descer da torre caminhei até pelo árido e kitsche calçadao até avistar as praias del Orzán e Riazor. Mas bonita mesmo é a pequena playa das Lapas, aos pés da torre, em meio ao despenhadeiro e seus jatobás. Peguei mais à frente o 11 quando soube da hora: eram 15:00 e eu queria me despedir de Santiago. Fui comer um misto quente em frente à estaçao e a dona do café era venezuelana. Victoria seu nome. Disse ter muita saudade da America Latina. Nao gostava da Coruña. Mas de Santiago: "todos se queden a enamorar-se de Santiago". Eu sinto muito mesmo saber que amanha pego o trem para Vigo. Aliás, decidi que nao vou dormir em Vigo, mas sim no Porto, para na quarta feira viajar de volta à Lisboa.

Ontem à noite ainda tive um encontro bem legal: Joglo, um paquistanês que mal falava o inglês e o espanhol e que ainda agora nem sei como conseguimos conversar. Joglo estava vendendo coisas lindas da Índia num galpao, e fiquei tentada numa cortina de voal toda bordada. Sua vizinha de tenda se chamava Amelia, e puxou uma longa conversa comigo, pois morou dez anos em "Floripa" e queria me mandar um postal daqui (???). Seu filho é um apaixonado pela bossa nova e quer voltar pro Brasil tentar a vida como músico, pois já fez inúmeros arranjos para Jobim e cia. Essa vida é uma miríade de coincidências mesmo! Lá n´A coruña hoje, dei de cara com a Playa Santo Amaro, vizinha da Playa da Lapa, à qual se chega pela rua San Carlos, que fica em frente ao Museu Militar, na beira do mar. ora ora....

Mas deixando novamente à coté a sessao nostalgia (yesterday all my troubles seems so far away...), tirei umas fotos do alvorecer no Monte do Gozo e ontem à noite resolvi, tardiamente, explorar mais meu ambiente de dormida. Subindo até o último pavilhao encontrei um policial com o qual tirei algumas dúvidas. Os últimos quatro pavilhoes chamaram minha atençao pois os corredores eram coalhados de botinas nas portas dos quartos. Estes últimos eram destinados aos peregrinos do camiño, que têm o direito de passar uma noite ali gratuitamente. Os pavilhoes debaixo, onde também estou, acolhem os nao peregrinos. Ai pensei: "depois de percorrerem centenas de quilometros os caras ainda tem que subir até fim deste caminho! Ou é para lhes dar maior sossego ou é porque os desgraçados nao pagam nada". Bem que poderia ser as duas coisas ao mesmo tempo, mas acho que a versao capitalista pesou mais nessa decisao. O Monte do Gozo foi construido em 1993 para a visita do Papa, pois tem lá um imenso auditorio ao ar livre para 40 mil pessoas. Sao 800 quartos ao todo (tem um hotel de luxo mais abaixo) e nos pavilhoes cada quarto acolhe até 8 pessoas. Na área comercial há um mini-mercado, uma lavanderia, uma cafeteria, um restaurante (caríssimo e ruim, segundo dizem), internet, bar automatico 24 horas e loja de souvenirs. É um grande complexo para se ganhar dinheiro com a peregrinaçao, mas nao deixa de ser divertido. Agora estou no quarto com duas alemas jovencitas, que ficam num abre e fecha de ziperes a noite toda, cochichando em alemao para nao me acordar e só por ser em alemao me tiram todo o sono. O nome Monte do Gozo é uma alusao à sentimento dos peregrinos que vêm do caminho francês (o mais longo) e que avistam as torres da catedral de Compostela tao logo chegam ali.

Como nao trouxe relógio, nao me sinto cansada pelas "horas nao dormidas", visto que nao sei quantas dormi e quantas "perdi". É tudo uma questao de convençao, uma imitaçao chula do espirito militar. Sem a disciplina pautada pelo signo maior da ideologia do trabalho (o relógio) somos muito mais fortes e intensos do que pensamos ser! E nunca "perco a hora" pois acordo quando os primeiros raios solares ainda frios adentram pelos buraquinhos da esteira branca da minha janela. E haja disposiçao, pois a vida de viajante se resume a viver simplesmente.

Ainda curtindo a brisa do Rincon del Viento, com os cornos pro Atlântico Norte, tive a oportunidade de sentir e de saber que nao importa onde estejamos, a vida vem conosco. A vida é única. A vida é íntima.

Pt, dá um beijao no meu Oc.
Hasta luego, mi pueblo!

soraya


domingo, setembro 26, 2004

FELIZ CUMPLEANOS, MI PAPITO!

Com uma dose extra de Botafumeiro para espantar todos los Charles de tu vida!
Muchos besitos de su hija amada e que te ama,
Soraya

sábado, setembro 25, 2004

Assunçao da Virgen

Mi pueblo, xá no sei más se hablo em castelano o galego. Verdade és que mi estrelita brilha mucho: hoy acordei e vim com los peregrinos de Monte do Gozo no primeiro autobus para cá.
Caminhando pela cidade sem me prender aos mapas, acabei entrando no Mercado da Praza de Abastos, um universo bem galiciano de galinhas, peixes, mariscos, paes gigantescos e muita hortaliça. A luz tava linda e as pessoas sempre muito gentis para tirar minhas dúvidas gastronômicas.

De lá, me dei de novo na Praza da Quintana, lateral da catedral, e resolvi entrar. Eis que me deparo com o tradicionalíssimo ritual do Botafumeiro, quando um turíbulo de prata e ouro de 50 kg desce da abóboda central e é lançado de um lado a outro pelos padres chegando quase a atingir o teto da igreja. Isso tudo depois de, também por acaso, ter entrado numa ruazita que me deixou de cara para San Martin Pinaro, igreja de onde sairam caracterizados de judeus e apóstolos os homens que participariam da procissao da Assuncion de la Virgen até a catedral. Esse verdadeiro teatro sacro medieval é uma oportunidade única de se ver aqui, já que é feito em Exl, lá pra baixo da Espanha, e eu tive a chance de ver com tudo o que tinha direito, entrando sem querer, assim por acaso, no meio da festa toda, ganhando até uma longa tira do palmário de Exl. Os órgaos da catedral de Santigo entraram no meu espírito pelos ouvidos e arrepiaram até os pelinhos dos dedos.

Fechando com chave de ouro, o bispo e todos os seus aceclas sairam justamente onde eu me encontrava, e levei de quebra um aperto de mao do bispo de Santiago de Compostela! E em pleno Ano Santo Compostelano - o que quer dizer que o dia 25 de julho cai num domingo. Me senti o próprio pica-pau.

Estive também num museu que queria conhecer: o Museo das Peregrinaçoes. Fala de todas as peregrinaçoes da face da Terra, desde as católicas como as budistas, taoistas, hindus, judaicas, islâmicas. Lá tinha também uma exposiçao de fotografias em P/B da peregrinaçao de Santiago no Haiti completamente diferente daqui: as pessoas em transe pela posseçao do Loa (ou law) caem num grande lamaçal e lá estao aptos a receber o espirito da Deusa do Amor, e rola muito esfrega debaixo daquela lama toda. Às vezes tento imaginar o que esses brancos devem pensar dalém europa. Será que entendem? Como me disse o Jorge, lá na Feira da Ladra, sua aposta no Brasil é exatamente porque aí ninguém cresceu se achando superior, e eis a "porta" da nossa abertura - vista de maneira positiva.

Mas dediquei a parte da tarde a curtir essa minha sorte visitando o Museu do Pobo Galego, ao lado da igreja e do parque de Sao Domingos de Bonaval. Uma verdadeira aula galiciana. Até compus uma alalá deitada na grama do parque prum descanso rápido, massagem nos pès, vendo ao fundo a torre da catedral e os ecos de "mira, papa!" dos pequenos que estavam por ali. Parque nas europa é coisa séria: uma delicia pública com direito a silêncio pra se ouvir os passarinhos e o vento nas folhas das árvores. é deitar e rolar.

Entre uma reflexao e outra, entre uma emoçao, uma recordaçao, uma alegria e um suspiro, me vi intrigada com uma coisa: por que será que nos restaurantes, nas mesones e nos bares a opçao é sempre "agua ou vino"? Parece que aqui és tudo la misma cosa! Entonces fico com o vino para acompanhar minhas raciones, já que son lo mismo preço! Aliàs, a de hoje foi caldo de mariscos com camaroes, cordeiro e batatas, vinho tinto e a famosíssima tarta de Santiago. Nao, nao estou esbanjando: isso tudo é um "menu do dia". E em cada tienda que viende la tarta tu puedes prová-la e beber um licor GRATIS! Gente, mais um mês aqui nessa vida de degustaciones e nao sei o que seria de mim.

Verdade é que tudo aqui é sensacional, mas fico louca pra escrever pra vocês, pois tem hora que nao ter uma testemunha consigo faz crescer a vontade de contar as coisas. Antes do almoço sentei na escadaria da Praça da Quintana pra ver o visual daquile imenso castelo de areia e comecei a desenhar o que via. Essa prática me aguçou o olhar: sao detalhes que nao acabam mais, e quando a gente fotografa acaba focando em outras coisas. Quer dizer, eu fotografo situaçoes e desenhei detalhes da arquitetura (pero no mucho, claro!). Duas formas de ver. E os cheiros continuam me encantando.

Logo mais âs 22:00 vai ter um espetáculo na Praza do Obradoiro mas no poderei estar acá porque o Monte do Gozo me espera até a ultima saida do 25, que es 22:30. Acho que ainda fico aqui até terça-feira. Depois nao sei se vou até Lugo ou Pontevedra ou retorno à Portugal parando ainda mais uma vez num sítio qualquer. À noite, quando me deito, é que sinto como estou quebrada. Dói tudo, minha gente. E Monte do Gozo é bem interessante: hoje dormi com um cara no quarto e uma mulher que já estava lá. Tudo peregrino, e o mais intrigante é que a maioria tem mais de 40 anos. Tem gente até de 68, muitos franceses e alemas. Vendo esse povo carregando as vierias nas mochilas, os cajados, os pés machucados, sacos de dormir e um puta semblante de alegria me dá vontade de encarar essa viagem de quase 800 km de perrengue. O caminho é o caminho.

É emocionante ver a Porta Santa da escadaria da Praza da Quintana. Um mundo de gente em fila pra abraçar Santiago e tudo o que aqui rola é em torno disso. Há vida cotidiana, claro, mas as pessoas sao tao abertas que penso ser consequência dessa troca toda que envolve esse lugar de peregrinaçao.

Vou indo, minha gente. O bus sai daqui a instantes. Hasta luego.
soraYa sem costela

sexta-feira, setembro 24, 2004

Ei, mira! SANTIAGO-GO de Compostela BUTIQUIM!

Imprecisos estes caminhos, mi pueblo. Estoy em Santiago de Compostela, despues de assistir a la missa na Catedral do santo e de abraçar-lo. Usteds no poderan crer: es lo ano santo compostelano, e ca estoy jo!

Passei a noche de ontem acompanhada de Carlos, em Vila Nova de Cerveira... Carlos, muy guapo, pagou mi jantar e todos meus vinhos, alem de acompanhar-me a mi pousada. E carlos ainda me falou que há 4 meses nao ria como ria aca comigo, e que se sentia muy bien ao meu lado. Bueno, mui bueno, mi pueblo! Más deixei mi Carlito e peguei lo trem das 9:00 rumo à Redondelas de Galicia e de la para Santiago. 1,10 de Cerveira pra Tuy, 1,90 de Tuy pra Redondelas e 6,15 para Santiago. E lo camino és estupendo! Hay vinhas e milhos por todos os lados, e las casitas de milho à beira da estrada nos indicam estarmos em terras estrangeiras. Na fronteira um policia me pediu o passaporte e yo no lo encontraba...mas enfim o tive!

La viagem no podria estar mejor!! E ca em Espanha toda la gente es mui mui simpatica e empreende un esfuerzo mui grande para compreender-me. Nada mal!

Estoy encantada com a Galicia. Aqui tudo TUDO es belo, las calles cheiram bem, las personas son mui belas e elegantes, e os peregrinos hay por todos los lados. Es mucho engraçado vê-los com sus cajados, mochilas e jeito manco de caminar. Todos tem bandagens en los pies. Estoy hospedada no Alto do Monte do Gozo, una especie de Rio Centro de peregrinos, só que más próximo de tudo, embora só possa chegar de autobus e o último sai da cidade velha às 22:30.

Así que cheguei acá, sentei-me no restaurante Franco, na rua do Franco, para comer o trivial por 7,00. Galicia és mais cara. Mas bom: comi um caldo galego de entrada, pollo com batatas, una laranja e una jarra de vinho! tudo por 7,00. O Franco ÉS O NOVA CAPELA DA GALÍCIA. Lo garçon que mi atendeu (a cara do Paiva do Jobi, pt) viu-me chamar-lo, foi à copa e voltou para ouvir-me. Preguntei pelo sal e ele sacou o vidrinho: "Sal?" e me deu um sorriso. Duas senhoras à meu lado (Raymunda e Yolanda), puxaram conversa e eu disse que em meu nombre también hay yn Y, e Yolanda me disse: "los nombres com Y dao um forte peso espiritual à persona". Brigadinha, papitos!

Ainda estoy vesga con esta ciudad. La ciudad vieja é toda feita de arcos, e hay musicos por todos os lados. Hoje gravei violinos, gaitas celtas e até mismo un blues. As lojas sao um estouro, todas pequenitas dentro das lhamadas tiendas que son las portas sob os arcos. És muy bela! procurem na internet. Volto cá para fazer el caminho, ah si!

Mas passei no supermercado para prover-me de comida, pois no Monte do Gozo estamos ilhados e tudo és mais caro. Dou todas as dicas pra quem quiser vir acá, viu Raul! Entonces comprei ahora: sucos de pina com uva (0,49), brioches (0,49 saco com 10), água (0,19 1,5L), batatas fritas (0,50), nectarinas (0,86 duas grandes) e bananas (0,70 quatro grandes). Sao 21:00 e tentei ligar pro Brasil mas nao sei como hacer para "lhamadas a cobrar revertido". Ninguna gente sube mi informar de esso, pero tudos bien que tentaran! Estoy contenta. Santiago é bien diferente de tudo que vi e la musica de ca me encanta. Voy voltar com alguns disquitos a mas. Amanhana haverá una feira aqui e jo viengo no primeiro autobus, às 10:00 da manana. Pienso em ficar aqui mais três ou quatro noches.

Estoy surpresa com la buena recepcion, ja que no parlo a lingua. Bon, mi pueblo, hasta la vista! Levo conchitas para todos! E só más un adiendo sobre la gastronomia: muchos mariscos, polvos e peixes enormes expostos nas vitrinas dos bares. E as roupas? Quantos lenços, quantos bordados, estoy louca acá! E las construciones? amanha farei el percurso da ciudade velha e despues o percurso extramuros de la cuidade velha. És muy simples. Levarei mi cajado e irei com os pies alados e lo corazòn amado!

Como queria que ustedes estivessem cá comigo para ver isto!
Biejos en todos usteds e perdones por mi supuesto castelhano! ARRIBA!

SoraYa com costelas quiebradas e pies ardentes!

quinta-feira, setembro 23, 2004

com o nariz na Galícia

Entre a pousada e a estação de comboios mudei a rota em pelo menos 80 kilômetros. É que saí de lá pensando em Braga e de Braga ir à serra de Gerês mas, no meio do caminho, havia um rapaz que me indicou Vila Nova de Cerveira, em pleno rio Minho e de cara para a vila de Bayona, Espanha.

Acabo de chegar e no trem uma senhora fez o favoire de caminhar comigo até a pousada. Ainda não tenho muitas informações, mas sei que o aluguel de um carro gira em torno de 5 euros e eu posso ir até La Guardia e parar numa outra cidadela um pouquito mais além que, dizem, és muy bela.

Já gostei daqui pois é uma cidade de artistas. Encontrei uma viola espanhola e estou coçando para colocá-la na minha sacola. O preço dum xale e mais duas cervejitas. Ah! E o almoço aqui inclui uma cerveja ou uma água. Nada mal.

Mas acabo de pôr os pés aqui. Quero vos contar de Ponte de Lima, onde estive ontem, a vila mais antiga de Portugal. Atravessando a ponte românica, entramos na aldeia de Arcozelo, e lá resolvi pedir uma informaçãozinha numa venda (é sempre bom pedir informações para ir entranhando nos lugares como quem abre a pança dum porco). O senhor que ali estava esticou pruma prosa e ainda me deu de presente sua história de vida. Ele atende pelo nome de João Malheiros, 84 anos, vivo que só! Tivemos realmente uma grande conversa e gravei tudo com o meu possante Sony safra 1991. Meu caro Malheiros habita uma aldeia um pouco mais acima e tem consigo algumas vinhas e uma espingarda para caçar coelhos e perdizes. Há 68 anos NAMORA dona Maria da Conceição, mulher que aos 18 anos, quando sáiu dum hospital, tinha que escolher com quem ia morar: os pais ou a tia. "Eu quero é ir pra casa do Malheiros". Grande Dona Maria!! Ele então me deu uma dica mais do que boa: "ó, m´nína, seguindo ali depois da ponte, vais encontraire uma adega. Gostas de ver isso? Pois eu tambáim!" Ainda perguntei novamente qual era o caminho a seguir para que não corresse o risco de me perder, e então João Malheiros me veio com a seguinte pérola: "Se for para se perdeire, perca-se comigo!"

E lá fui eu. De tempos em tempos cruzavam meu caminho camionetas carregadas de pipas com uvas. Cheguei na adega e vi todo o processo de feitura dos vinhos verdes da região. Esta época do ano produz cerca de 20 mil pipas, e cada pipa daquelas carrega 750kg de uva, que dá pra produzir 500 litros de vinho. Então, como o cume interessa, tive cuidado para não cair de boca na pipa!

Andréa, minha amiga, como lembrei de ti em Ponte de Lima! Tem um quê de Rio Preto, dada as devidas diferenças: este situa-se no Alto Minho. Aliás, não sabia que ia enveredar tanto por essa região.

O tempo vai esgotar.

Beijos!
Soraya